Deep Dive
Características e estrutura dos protozoários
Prof. Monteiro inicia a aula explicando que protozoários são organismos do reino protista, eucariontes com núcleo envolvido por carioteca, unicelulares e heterotróficos. Antigamente eram classificados com animais porque se movimentavam, mas hoje ocupam grupo próprio. A célula do protozoário contém mitocôndria, retículo endoplasmático, núcleo, membrana plasmática, vacúolo contrátil e digestivo. Para se alimentar, realiza fagocitose (englobando partículas sólidas) ou pinocitose (englobando partículas líquidas), formando o fagossomo que se une com o lisossomo para criar o vacúolo digestivo onde acontece a digestão intracelular. Essa característica fundamental permite que o protozoário absorva nutrientes sem possuir um trato digestivo especializado.
Trocas gasosas e osmorregulação
Como protozoários não possuem órgãos respiratórios, todas as trocas gasosas ocorrem por difusão simples através da membrana plasmática. Prof. Monteiro destaca que a alta razão de área de superfície pelo volume celular permite que oxigênio entre e dióxido de carbono saia sem necessidade de estruturas especializadas. O vacúolo contrátil ou pulsátil cumpre papel crucial de osmorregulação, especialmente em protozoários de água doce. Como o meio interno é hipertônico (mais concentrado em sais) em relação à água doce hipotônica, água entra continuamente por osmose. O vacúolo acumula esse excesso de água e a bombeia para fora, impedindo que a célula rompa. Essa é a função essencial: controlar a quantidade de água dentro do protozoário para manter o equilíbrio osmótico.
Classificação de protozoários por locomoção e doenças associadas
Prof. Monteiro ressalta que a classificação pelo modo de locomoção é o ponto mais importante da aula. Os sarcodíneos ou rizópodes locomovem-se por falsos pés (pseudópodes), como a ameba. Os mastigóforos ou flagelados usam flagelo para se mover, sendo o Trypanosoma cruzi o causador da doença de Chagas, que é um protozoário flagelado. Os ciliados possuem cílios e têm o paramécio como exemplo clássico de protozoário de vida livre. Por fim, os esporosoários ou apicomplexos não possuem estrutura locomotora na fase adulta e são parasitas obrigatórios da corrente sanguínea, sendo o Plasmodium o principal representante, causador da malária. O professor enfatiza que é crucial saber diferenciar esses grupos e seus representantes, pois aparecem frequentemente em provas.
Características gerais e reprodução dos fungos
Prof. Monteiro explica que fungos foram antiguamente classificados com plantas porque não se movem, mas hoje sabemos que constituem reino próprio. Fungos são eucariontes, unicelulares (como leveduras) ou pluricelulares (como cogumelos), heterotróficos que não realizam fotossíntese e não possuem pigmentos fotossintetizantes. Possuem parede celular de quitina, um polissacarídeo de cadeia longa diferente da celulose das plantas. Armazenam glicogênio como reserva energética, assim como animais. A reprodução predominantemente ocorre por esporos. Fungos se alimentam por absorção através de nutrição extracorporal: liberam enzimas digestivas no ambiente para decompor matéria orgânica, quebrando moléculas grandes em nutrientes que podem ser absorvidos pelas hifas, as estruturas filamentosas que formam o micélio, o corpo do fungo.
Importância dos fungos e aflatoxinas
Prof. Monteiro destaca a importância econômica e ecológica dos fungos. Leveduras são indispensáveis na fermentação para produção de bebidas alcoólicas, um processo vital para a indústria de bebidas. Fungos realizam decomposição essencial nos ecossistemas, reciclando matéria orgânica. Na medicina, relacionam-se a doenças e infecções, particularmente em pessoas imunossuprimidas, como portadores de HIV, que desenvolvem mais facilmente doenças de pele causadas por fungos. Um aspecto crítico é que alguns fungos, como Aspergillus, liberam metabólitos secundários chamados aflatoxinas que contaminam grãos de milho e estão diretamente associadas a câncer hepático. Hoje controles rigorosos na produção agrícola reduzem esse risco, mas o conhecimento dessa toxicidade é importante para entender o impacto dos fungos na saúde pública.
Ciclo aplobionte diplonte em animais
Prof. Monteiro introduz ciclos reprodutivos, explicando que o ciclo aplobionte diplonte ocorre em animais e possui apenas um indivíduo adulto diploide (2n). Um organismo adulto com 2n cromossomos possui células germinativas que sofrem meiose, reduzindo o número de cromossomos pela metade para produzir gametas (n). No ser humano, por exemplo, células somáticas têm 46 cromossomos (2n), enquanto espermatozoides e óvulos têm 23 (n). Quando gameta masculino encontra o feminino, ocorre fecundação, formando zigoto com 2n cromossomos novamente (10 do pai, 10 da mãe). O zigoto então cresce através de mitose, mantendo o número de cromossomos constante, até virar indivíduo adulto que recomeça o ciclo. Diferencia-se da mitose porque a meiose é divisão reducional que reduz cromossomos, enquanto mitose é conservativa mantendo o número.
Ciclo diplobionte com alternância de gerações
Prof. Monteiro apresenta o ciclo diplobionte como tendo dois indivíduos adultos distintos. O esporófito é um indivíduo adulto diploide (2n) que através de meiose libera esporos haploides (n), reduzindo cromossomos pela metade. Esses esporos germinam como sementes, crescem por mitose mantendo n cromossomos, originando um novo indivíduo adulto chamado gametófito, também haploi. O gametófito libera gametas por mitose, porque já tem apenas n cromossomos e não pode reduzir mais. Um gameta masculino (n) encontra um feminino (n), formando zigoto diploide (2n) por fecundação. Esse zigoto cresce por mitose voltando a ser esporófito (2n), reiniciando o ciclo. A diferença fundamental é que o diplobionte tem alternância de gerações com dois organismos adultos funcionalmente diferentes: um que libera esporos e outro que libera gametas.